Comunicólogo, especialista em Comunicação e Assessor de Imprensa
Vivemos numa sociedade onde, cada vez mais, as pessoas são avaliadas pelo que possuem, pelo cargo que ocupam, pelo nível académico, pelos recursos financeiros ou pela influência que exercem.
A lógica da utilidade começa a substituir valores como caráter, respeito, lealdade e gratidão. Muitas relações são construídas não pelo que uma pessoa é, mas pelo que pode oferecer.
Nas redes sociais, essa realidade tornou-se ainda mais evidente. A visibilidade passou a ser confundida com relevância, enquanto a aparência de sucesso muitas vezes se sobrepõe à essência.
O problema não está em valorizar o mérito, o conhecimento ou o sucesso. O problema surge quando esses elementos determinam quem merece respeito e quem deve ser ignorado.
Cargos terminam, dinheiro diminui, influência oscila e a fama passa. É nesses momentos que se revela a verdadeira natureza das relações.
Como comunicólogo, considero importante distinguir imagem de reputação. A imagem pode ser construída rapidamente; a reputação é resultado de uma trajetória. E nenhuma estratégia de comunicação consegue substituir o caráter.
Precisamos, portanto, recuperar a cultura do reconhecimento e da gratidão. Valorizar quem abriu caminhos, quem serviu sem holofotes e quem contribuiu para a sociedade sem esperar recompensas.
A pergunta não deveria ser apenas:
“O que esta pessoa pode fazer por mim?”
Mas também:
“Quem é esta pessoa quando não tem nada para me oferecer?”
Porque uma sociedade que mede o valor humano pela utilidade pode até produzir relações convenientes, mas dificilmente produzirá relações verdadeiramente humanas.




